Eu não sei como meus alunos vão se lembrar de mim num futuro não muito distante. Se é que vão se lembrar. Talvez eu fique na memória deles como a professora do cabelo estranho que era incapaz de organizar uma lousa decentemente. As meninas talvez lembrem de mim como aquela das roupas legais. Pode ser que algum moleque me agradeça no futuro por ter apresentado Dave Matthews Band a ele e tenho certeza que tem gente que vai me odiar pra sempre por uma nota baixa considerada, na época, uma injustiça suprema. Alguns vão repetir meus trava-línguas para as próximas gerações, um ou outro talvez me credite seu ódio eterno pela língua de Shakespeare e a maioria, provavelmente, vai simplesmente me esquecer. Normal. Vou listar aqui alguns professores dos quais eu não esqueci, por motivos diversos:
Silvana (Jardim 3) – Me ensinou a ler, a diferenciar os números pares dos ímpares e a amarrar o cadarço do tênis. Também colocou um desenho meu em uma prova, para orgulho de dona Neide (que de tão orgulhosa esqueceu de guardar o teste).
Maria Célia (História, 6ª série) – Falava Francês, nos obrigava a forrar a carteira com uma toalhinha durante a aula e só aceitava as provas respondidas com caneta preta. Minha professora preferida de todos os tempos, de longe.
Lúcia (Geografia, 6ª série) – Japonesa hippie que ia dar aulas de chuteira e falava sobre reencarnação e experiências extra corporais.
Cacilda (Matemática, 7ª série) – Tem como esquecer uma professora chamada Cacilda?
Lúcia II (Física, 8ª série) – Japonesa também, usava uns saltos imensos e fazia desenhos ótimos. Era engraçada. Foi a única vez que me diverti estudando Física.
Ruiva estranha (Química, 1º colegial) – Não lembro o nome dela, mas lembro que ela vestia SEMPRE, sem exceção, legging, camiseta e tênis conga, tudo da mesma cor.
Diamantino (Química, 2º colegial) – Explicava química orgânica como ninguém, deixava a gente colar na prova e nos apresentou a teoria de Thantofazz.
Sílvia (Biologia, 2º colegial) – Dizia que os grandes amores da vida dela eram a filha, o Fábio Júnior, o sistema digestivo e o marido. Nessa ordem.
Márcia (Inglês, 2º colegial) – Estava se divorciando e passava aula toda falando mal do marido e contando os podres da família dele.
Maurício (Geografia, cursinho) – Úníco professor realmente pegável que eu tive.
Depois veio a faculdade, pródiga em professores figura. Esses merecem posts inteiros pra cada um. Qualquer dia eu conto.
domingo, 13 de janeiro de 2008
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Tia Paula continua de férias
E, com isso, ando completamente sem assunto. Então, numa iniciativa revolucionária, resolvi abrir espaço aos meus milhares de leitores e convocá-los para que me contem suas trágicas histórias dos tempos da escola. Ou, para os coleguinhas professores, que compartilhem comigo suas agruras diárias. Selecionarei as mais divertidas e postarei aqui de vez em quando (com os devidos créditos, obviamente), para alegria da galera. Os felizes escolhidos ganharão uma canetinha de gel e uma figurinha do Yugi-ho.
Colaborem gente! Esta professora em crise criativa conta com vocês!
P.S.: Tia Paula tinha esquecido de deixar o contato - mandem suas historinhas para tiapaulavaiaguerra@yahoo.com.br
Colaborem gente! Esta professora em crise criativa conta com vocês!
P.S.: Tia Paula tinha esquecido de deixar o contato - mandem suas historinhas para tiapaulavaiaguerra@yahoo.com.br
sábado, 29 de dezembro de 2007
Trauma (parte II)
São Paulo, 1990. Tia Paula, então com doze anos, freqüentava a sexta série de um colégio público na Vila Mariana. Aula de Português.
A professora se chamava Priscila. Não sei dizer a idade dela, pois aos doze anos todo mundo é velho, mas me lembro que ela loira, cabelo curto, eternamente emburrada. E era a única professora do colégio que usava avental. Até aquela fatídica aula de redação nós nunca tínhamos tido motivos para ter medo da Priscila, apesar da cara de má. Ela entrava na sala, fazia seu trabalho sem dar muita bola para a gente e saía. Até aquela fatídica aula.
A tarefa era fazer uma redação sobre desmatamento. Eu, que sempre fui metida a escrever, tive uma idéia, para mim, genial. Fiz um diálogo entre os bichos da floresta discutindo os efeitos do desmatamento na vida deles. Onça, tatu, papagaio, tinha tudo. Fiquei orgulhosíssima do meu texto, todo mundo ia adorar, imaginem, bichos conversando! Entreguei a redação saltitando, e mal podia esperar pela aula seguinte, quando eu certamente receberia os efusivos parabéns da professora e os comentários admirados dos meus colegas. E a aula seguinte veio.
Parece mentira, mas minha redação era a última da pilha. A professora ia chamando nome por nome e eu ia ficando cada vez mais ansiosa. Será que eu tinha tirado um A? A não, vá, Paula, um pouco de modéstia agora, um B+ talvez. Quando chegou minha vez, Priscila pegou a folha pela pontinha como quem pega um treco sujo do chão e começou a balançar na minha frente:
_ Paula, que idéia foi essa? Eu tinha pedido uma dissertação! Você sabe o que é isso? Não sabe, né? Se soubesse não tinha feito isso aqui. Tenha dó, você não presta atenção no que eu digo, não? Quem mandou fazer narrativa? Isso não tem nada a ver com o que eu pedi!
Ela estava realmente brava enquanto falava. Eu, por minha vez, já não estava lá. Tinha sumido de vergonha, de ódio da Priscila por chamar meu texto de “isso”. E na frente da classe inteira. E essa foi apenas uma das inúmeras vezes em que eu quis morrer na escola. Ela jogou a folha sobre a minha mesa e me mandou refazer. De raiva, caprichei horrores, pesquisei. Ela corrigiu, me deu um B e mal olhou para minha cara.
Basicamente é isso. Se eu não virei a J.K. Rowling brasileira a culpa é exclusivamente da Priscila.
A professora se chamava Priscila. Não sei dizer a idade dela, pois aos doze anos todo mundo é velho, mas me lembro que ela loira, cabelo curto, eternamente emburrada. E era a única professora do colégio que usava avental. Até aquela fatídica aula de redação nós nunca tínhamos tido motivos para ter medo da Priscila, apesar da cara de má. Ela entrava na sala, fazia seu trabalho sem dar muita bola para a gente e saía. Até aquela fatídica aula.
A tarefa era fazer uma redação sobre desmatamento. Eu, que sempre fui metida a escrever, tive uma idéia, para mim, genial. Fiz um diálogo entre os bichos da floresta discutindo os efeitos do desmatamento na vida deles. Onça, tatu, papagaio, tinha tudo. Fiquei orgulhosíssima do meu texto, todo mundo ia adorar, imaginem, bichos conversando! Entreguei a redação saltitando, e mal podia esperar pela aula seguinte, quando eu certamente receberia os efusivos parabéns da professora e os comentários admirados dos meus colegas. E a aula seguinte veio.
Parece mentira, mas minha redação era a última da pilha. A professora ia chamando nome por nome e eu ia ficando cada vez mais ansiosa. Será que eu tinha tirado um A? A não, vá, Paula, um pouco de modéstia agora, um B+ talvez. Quando chegou minha vez, Priscila pegou a folha pela pontinha como quem pega um treco sujo do chão e começou a balançar na minha frente:
_ Paula, que idéia foi essa? Eu tinha pedido uma dissertação! Você sabe o que é isso? Não sabe, né? Se soubesse não tinha feito isso aqui. Tenha dó, você não presta atenção no que eu digo, não? Quem mandou fazer narrativa? Isso não tem nada a ver com o que eu pedi!
Ela estava realmente brava enquanto falava. Eu, por minha vez, já não estava lá. Tinha sumido de vergonha, de ódio da Priscila por chamar meu texto de “isso”. E na frente da classe inteira. E essa foi apenas uma das inúmeras vezes em que eu quis morrer na escola. Ela jogou a folha sobre a minha mesa e me mandou refazer. De raiva, caprichei horrores, pesquisei. Ela corrigiu, me deu um B e mal olhou para minha cara.
Basicamente é isso. Se eu não virei a J.K. Rowling brasileira a culpa é exclusivamente da Priscila.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Tia Paula de férias (parte II)
Mãe: Você tomou o suco de laranja que eu comprei?
Tia Paula (no msn): Tomei.
Mãe: Gostou?
Tia Paula: Hum-hum.
Mãe: Quê?
Tia Paula: GOSTEI!
Mãe: Não precisa gritar, só perguntei.
Tia Paula: Tá.
Mãe: A carteirinha do seu plano de saúde continua em cima da cômoda.
Tia Paula: ...
Mãe: Eu já falei que você tem que andar com ela na bolsa, Paula.
Tia Paula: Tá.
Mãe: Pare de guardar suas roupas no avesso. É atraso de vida.
Tia Paula: Hum-hum
Mãe: Você usa essas camisetas? Posso dar para alguém?
Tia Paula: Eu uso pra correr, mãe.
Mãe: Mas você NUNCA vai correr.
Tia Paula: Agora que eu estou de férias eu vou.
Mãe: Então larga esse computador e vai.
Tia Paula: Tá frio.
Mãe: Quer uma banana?
Tia Paula: Não.
Mãe: Preciso de uma receita de torta de nozes, acha aí na internet pra mim?
Tia Paula: Daqui a pouco.
Mãe: Acho que eu vou comprar uma centrífuga.
Tia Paula: Pra quê?
Mãe: É mesmo, pra quê?
Tia Paula: ...
Mãe: Você viu meus óculos?
Tia Paula: Não.
Mãe: Leva o lixo lá fora pra mim?
E vocês achando que lidar com crianças demanda paciência...
Tia Paula (no msn): Tomei.
Mãe: Gostou?
Tia Paula: Hum-hum.
Mãe: Quê?
Tia Paula: GOSTEI!
Mãe: Não precisa gritar, só perguntei.
Tia Paula: Tá.
Mãe: A carteirinha do seu plano de saúde continua em cima da cômoda.
Tia Paula: ...
Mãe: Eu já falei que você tem que andar com ela na bolsa, Paula.
Tia Paula: Tá.
Mãe: Pare de guardar suas roupas no avesso. É atraso de vida.
Tia Paula: Hum-hum
Mãe: Você usa essas camisetas? Posso dar para alguém?
Tia Paula: Eu uso pra correr, mãe.
Mãe: Mas você NUNCA vai correr.
Tia Paula: Agora que eu estou de férias eu vou.
Mãe: Então larga esse computador e vai.
Tia Paula: Tá frio.
Mãe: Quer uma banana?
Tia Paula: Não.
Mãe: Preciso de uma receita de torta de nozes, acha aí na internet pra mim?
Tia Paula: Daqui a pouco.
Mãe: Acho que eu vou comprar uma centrífuga.
Tia Paula: Pra quê?
Mãe: É mesmo, pra quê?
Tia Paula: ...
Mãe: Você viu meus óculos?
Tia Paula: Não.
Mãe: Leva o lixo lá fora pra mim?
E vocês achando que lidar com crianças demanda paciência...
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Querido Papai Noel,
Eu sei que eu não fui um menino bonzinho esse ano. Eu não fiz a lição de Matemática, não entreguei nenhum recado da professora para minha mãe e só tirei nota baixa em Inglês. Eu escondi a chave do meu armário dentro daquele vaso que tem ao lado da mesa da coordenadora e passei um mês sem fazer nada alegando que não tinha material. Eu bati nos moleques da segunda série (mas eles que pediram, Papai Noel! Cataram minhas figurinhas do Yugi-Ho e zoaram minha camisa do Corinthians). Eu chamei as meninas da minha sala de biscates e não aprendi que “xupa pal” se escreve com ch e com u. Eu rabisquei a parede da sala com canetinha, mostrei o dedo médio na foto da turma e cantei funk na aula de Ciências. Ah, e sabe o tênis do Juquinha da primeira série pendurado no ventilador? Fui eu, Papai Noel.
Mas, apesar de tudo isso, Papai Noel, eu queria ganhar um Play Station 3. Eu gastei um dinheirão de telefone lá em casa ligando pro SBT mas aqueles filhos da puta do Bom Dia e Cia nunca me atenderam e agora meu pai está querendo me matar. Você é minha última esperança. Eu sei que criança mal criada não ganha presente, mas eu queria te fazer uma proposta: o senhor me dá o Play Station e eu pago parcelado ano que vem, que tal? Eu começo já no primeiro dia do ano, não jogando minha tia Bete na piscina e não quebrando os brinquedos novos dos meus primos. E eu prometo que não vou fazer caricatura da professora gorda e espalhar para a escola (e veja bem, Papai Noel, eu passei o ano todo aperfeiçoando o desenho).
O que o senhor me diz, Papai Noel? Posso contar com meu Play Station 3? Caso o senhor não responda esta cartinha, tenho planos de contatar seus superiores lá no shopping (o senhor deve ter superiores lá, né? Ou o senhor é o dono do shopping?) e dizer para eles que o senhor cuspiu nas criancinhas.
Feliz Natal,
Matheus (o da 3ª A. O da 3ª B bateu na professora)
* Levemente inspirada na cartinha do colega de classe Tio Xavier.
Mas, apesar de tudo isso, Papai Noel, eu queria ganhar um Play Station 3. Eu gastei um dinheirão de telefone lá em casa ligando pro SBT mas aqueles filhos da puta do Bom Dia e Cia nunca me atenderam e agora meu pai está querendo me matar. Você é minha última esperança. Eu sei que criança mal criada não ganha presente, mas eu queria te fazer uma proposta: o senhor me dá o Play Station e eu pago parcelado ano que vem, que tal? Eu começo já no primeiro dia do ano, não jogando minha tia Bete na piscina e não quebrando os brinquedos novos dos meus primos. E eu prometo que não vou fazer caricatura da professora gorda e espalhar para a escola (e veja bem, Papai Noel, eu passei o ano todo aperfeiçoando o desenho).
O que o senhor me diz, Papai Noel? Posso contar com meu Play Station 3? Caso o senhor não responda esta cartinha, tenho planos de contatar seus superiores lá no shopping (o senhor deve ter superiores lá, né? Ou o senhor é o dono do shopping?) e dizer para eles que o senhor cuspiu nas criancinhas.
Feliz Natal,
Matheus (o da 3ª A. O da 3ª B bateu na professora)
* Levemente inspirada na cartinha do colega de classe Tio Xavier.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Tia Paula precisa desabafar
Tem uma coisa que me irrita muito, mas muito mesmo em alunos de cursinhos de inglês. É quando aquele sujeito que já começou e parou o curso trocentas vezes e não consegue sair do intermediário olha para a minha cara e diz: "Eu odeio inglês, mas morro de vontade de aprender italiano."
a) Porque é sempre italiano? Qual o problema dessas pessoas com italiano? Deve ser resultado de anos de novelas do Benedito Ruy Barbosa na cabeça, né?
b) Queria muito ver neguim que não aprende nem do e does conjugando verbos em italiano.
c) Pra quê eles querem aprender italiano, afinal? Para pedir massa sem sotaque nas cantinas da 13 de Maio? Para assistir a RAI? Para ler Dante no original que não é.
Preciso dar umas dicas de marketing para o Círcolo Italiano. Eles deveriam distribuir panfletinhos em porta de escola de inglês.
a) Porque é sempre italiano? Qual o problema dessas pessoas com italiano? Deve ser resultado de anos de novelas do Benedito Ruy Barbosa na cabeça, né?
b) Queria muito ver neguim que não aprende nem do e does conjugando verbos em italiano.
c) Pra quê eles querem aprender italiano, afinal? Para pedir massa sem sotaque nas cantinas da 13 de Maio? Para assistir a RAI? Para ler Dante no original que não é.
Preciso dar umas dicas de marketing para o Círcolo Italiano. Eles deveriam distribuir panfletinhos em porta de escola de inglês.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
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