quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Denúncia

Que está cheio de pai e mãe por aí que deveria fazer melhor uso deste produto mostrado no meu outro blog, isso todo mundo já sabe. Mas tem gente que deveria ser esterilizada de vez. Ter o útero arrancado, ser vasectomizado aos 15 anos. Por exemplo, os pais desse garotinho aqui:Bonitinho, não? Mas vocês leram a legenda? Sim, ele se chama Adolph Hitler e virou notícia porque uma confeitaria se recusou a escrever "Happy Birthday Adolph Hitler" no seu bolo de aniversário. Podia ser pior? Claro, a irmãzinha dele se chama Aryan Nation. Obviamente isso já seria motivo suficiente para mandar o brilhante casal que batizou essas duas crianças para um campo de concentração de pais sem noção, mas outras questões importantes foram levantadas pelos leitores do site de onde tirei a notícia:
a) Que tipo de gente escreve o nome inteiro da criança num bolo, afinal? Tipo "Felicidades, João da Silva"?
b) O coitadinho tem três anos e usa mullets. Se isso não é abuso infantil, eu não sei mais o que é.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Tia Paula vai à dinâmica

Todo mundo que já procurou emprego alguma vez nessa vida deve ter passado pela famigerada "dinâmica de grupo". As dinâmicas podem variar de acordo com o cargo, mas acho que numa coisa todas se parecem: são um pé no saco. Isso quando não fazem o indivíduo se sentir com cinco anos de idade.
E aí Tia Paula hoje foi a um destes maravilhosos eventos da vida corporativa. O cargo: professora de inglês para crianças em uma escola famosa especializada em petizes.
Havia cerca de trinta pessoas, das quais só três homens (oi, professor de criança é profissão de vi-a-do - sem preconceitos, beijos). Entre os três caras tinha um chamado Raoni - uma bichinha que teve a cara de pau de dizer que Raoni significa tigre em Tupi (alguém me explica como os índios deram nome para um bicho que eles não conheciam? É como a pessoa dizer que se chama Estramolofifa e que isso significa "sol escaldante" em língua esquimó). E, sim, todo mundo riu do mocinho delicado dizendo que seu nome significa "tigre". Foi um tanto constrangedor.
Nos avaliando, três moças sorridentes, coordenadoras de filiais diferentes. A tarefa era criar um cartaz com desenhos e colagens que nos representassem. Para isso tínhamos 20 minutos. Em seguida, todo mundo tinha que explicar sua "obra de arte."
Primeiro: eu sou uma pessoa caótica. Vinte minutos para me representar numa colagem? Sério? E me estapear com outras 29 pessoas por um estojo de canetinhas definitivamente não estava nos meus planos nesta manhã. Enfim, fiz, aos trancos e barrancos, algo que quase poderia ser considerado compreensível. Mas foi na hora da explicação que eu achei que não sobreviveria.
As apresentações foram em ordem alfabética. Considerando que meu nome começa com P e não havia nenhuma Priscila, Tatiana, Vanessa ou Wilma no recinto, sim, eu fui a última a apresentar. Passei quase uma hora ouvindo gente mostrando cartazinhos e dizendo que "adora música, bichos, crianças, literatura e odeia falsidade." Vinte e nove vezes. Eu contei. Cada um que se levantava era um pedaço da minha paciência que se esvaía. Minha única preocupação era que ela acabasse antes de chegar a minha vez.
As coordenadoras prestavam a maior atenção e anotavam tudo. Não que fosse alguma novidade. Elas esperavam o que, por acaso?
"Meu nome é Mariazinha, tenho 25 anos, gosto de vodca, cigarro e sexo sem compromisso. Odeio acordar cedo. Sou depressiva, bipolar e tenho dificuldades de relacionamento. Também não gosto muito de crianças não, só estou aqui porque tenho uma dívida de jogo imensa e preciso pagá-la antes que meu corpo amanheça boiando no Tietê"

Sinceridade é o futuro do mercado de trabalho.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

As vezes vale a pena

Momento ternura:
A petiz me entrega um bilhetinho depois da prova. No dito cujo, um acróstico. Já sabem, né? Acróstico é aquele treco que tia velha e criança adora, que é fazer poeminhas começando cada verso com as letras de uma palavra. O meu era:

P erfeita
A legre
U ltra legal
L inda
A miga

Olha, gente, quando você tem nove anos fazer um acróstico com U deve dar um certo trabalho. Achei fofo.

Momento humor:
Dois pequenos discutindo. Um vira para o outro e diz:
"Você se acha a última bolacha do pacote, né? A última bolacha do pacote tá sempre esfarelada!!"

De vez em quando acontecem umas coisas e eu quase acho que vale a pena.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Roupa suja se lava no blog

Desculpem a insistência no assunto, mas repito a analogia - é como fim de namoro. Tem que falar para exorcizar.
O que foi alegado no momento da minha demissão:
- Os alunos e os pais vinham reclamando de mim.
Admito, eu andava um cu, pelos motivos citados no post abaixo. Mas se a as relamações eram tantas a ponto de motivar minha demissão, como é que eu só fui informada delas ali naquela hora, quando o alçapão da forca já tinha sido puxado e eu não podia fazer mais nada? Como é que não foi me dada a chance de tentar mudar minha atitude?

- Eu tinha dito uma coisa (que ela não lembrava qual era) que a tinha deixado chocada (a coordenadora) e a fez questionar minha capacidade de professora.
Ok. Você não lembra. Então obviamente deve ter sido algo muito relevante. Fora isso, você é minha chefe. Se eu disse algo que a chocou por que você não me confrontou naquela hora e me fez ver que era um absurdo? Você tem todo direito de fazer isso, mas como você não se lembra do que era eu posso simplesmente argumentar que era um idiotice e que você está procurando motivos para justificar meu enforcamento ordenado pelo chefão-mor.

- Eu não estava fazendo as provas de acordo com as diretrizes do colégio.
Eu estava. E ao pedir para que ela pegasse as provas para ver, ela não quis. Não quis porque as dela e as de outros professores queridinhos é que não são feitas de acordo com as diretrizes.

Definitivamente não dá. Não dá para levar a sério um colégio que dá ouvidos a reclamação de aluno de colegial noturno, que é um bando de semi alfabetizados que passa a aula inteira de costas para o professor jogando bolinha de papel. E não é só comigo. Com todo mundo.
Não dá para levar a sério um colégio no qual todo mundo passa de ano, no qual a coordenadora tem medo dos pais dos alunos e no qual a oitava série pode fazer o que quiser (inclusive rasgar material de colegas) e sair impune.
Não dá pra levar a sério um colégio no qual a moça da editoração apita mais que os coordenadores (não é preconceito, mas cada um no seu quadrado, né?)
Não dá pra levar a sério um colégio no qual professores absolutamente irresponsáveis continuam trabalhando porque são amigos do chefão.

Eu sei que este post parece mágoa de caboclo pela demissão, mas garanto que não é. É só algo que eu via desde que comecei a trabalhar lá mas por questões éticas não colocava aqui (porque sei que alguns professores de lá lêem o blog). Agora que me mandaram embora, que se danem. Tô lavando roupa suja aqui mesmo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Fui mandada embora de um dos meus três trabalhos. Foi péssimo porque não existe essa coisa de "vamos mandar a pessoa embora mas que ela não saia daqui se sentindo uma loser completa." Eu me senti uma loser completa. Principalmente porque o discurso ficou parecido com aqueles de namorado que você não agüenta mais - você começa a desenterrar picuinhas de mil novencentos e trilili e procurar motivos para dar um fim naquilo quando na verdade só há um motivo: já deu.
Já tinha dado desde o meio do ano. Eu não me dava bem com vários alunos. Eu estava de saco cheio da falta de profissionalismo de certas pessoas e de viajar muitos quilômetros e de ter que dormir fora da minha casa uma vez por semana. Eu não dormia mais direito de domingo para segunda (dia das minhas aulas lá). E eu ganhava mal para agüentar tanta encheção. Isso, obviamente, se refletiu no meu trabalho. Que esse ano, admito, foi feito nas coxas.
Ser demitida e ter que ouvir que é porque eu sou uma merda de professora doeu. Mas naquele contexto era verdade e eu não serei hipócrita de colocar a culpa nos outros. O jeito é tocar pra frente e esperar ter aprendido alguma coisa com isso. No fundo, foi como levar um pé na bunda de um namorado ruim - na hora dói, mas logo a gente percebe que foi melhor assim.

A boa notícia é que o blog voltará a ser público já que eu não trabalho mais lá! Eba!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Genialidade

Em dez anos de magistério eu achei que já tinha tido provas suficientes de que essa história de que não existe gente burra é balela. Entretanto, de vez em quando acontece alguma coisa para renovar a minha total falta de fé na humanidade.
A prova de redação continha um texto sobre o selo procel. Quando foi instituído, para que serve, que tipo de aparelho o recebe e blá blá blá. A proposta pedia que o aluno elaborasse um texto DISSERTATIVO sobre responsabilidade social voltada para a preservação do meio ambiente incluindo aí economia de energia elétrica.
Mas propostas são para losers. Pessoas verdadeiramente criativas fazem suas próprias propostas. E eis que a futura cadeira da ABL "produz" o seguinte texto:

"O SELO PROCEL DE ECONOMIA DE ENERGIA ou simplesmente Selo Procel, foi instituído por Decreto Presidencial em 8 de dezembro de 1993. É um produto desenvolvido e concedido pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - Procel, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia – MME, com sua Secretaria-Executiva mantida pelas Centrais Elétricas Brasileiras S.A – Eletrobrás.
O Selo Procel tem por objetivo orientar o consumidor no ato da compra, indicando os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria, proporcionando assim economia na sua conta de energia elétrica. Também estimula a fabricação e a comercialização de produtos mais eficientes, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico e a preservação do meio ambiente.

No processo de concessão do Selo Procel, a Eletrobrás conta com a parceria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - Inmetro, executor do Programa Brasileiro de Etiquetagem-PBE, cujo principal produto é a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia –ENCE, sendo também a Eletrobrás, parceira do Inmetro no desenvolvimento do PBE. Normalmente, os produtos contemplados com o Selo Procel são caracterizados pela faixa “A” da ENCE."

(Caso alguém não tenha percebido, isso É o texto de apoio. A gênio copiou).

E conclui assim: "Eu acho que o selo procel é muito bom porque ajuda as pessoas a economizar energia."

É com pesar que informo que esta pessoa encontra-se atualmente matriculada na oitava série de um colégio particular. E vai passar de ano.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Novembrite

A novembrite é uma doença de causas ainda desconhecidas que ataca principalmente crianças e adolescentes em idade escolar. Uma vez que professores também têm apresentado sintomas semelhantes, os pesquisadores investigam se a doença não seria transmitida por vias respiratórias, portanto facilmente propagável em ambientes cheios e fechados como salas de aula. Recebeu este nome devido à sua incidência nos últimos meses o calendário escolar, sendo notada já a partir da segunda metade de outubro e se espalhando rapidamente, a ponto de deixar poucos ilesos após o feriado de 15 de novembro.

Os sintomas da novembrite variam de acordo com a idade dos afetados. Em crianças e adolescentes ela caracteriza-se por falta de concentração, sono incontrolável, desleixo material e pessoal - falta de livros, lápis e as vezes banhos. Verifica-se também um aumento sensível na frequência de palavrões e brigas em sala de aula, fato que colabora para o agravamento dos sintomas observados em adultos. Estes são: apatia, tremedeira, irritação constante, queda de cabelo, falta de apetite e de voz.

Embora pesquisas venham sendo feitas nesse sentido, ainda não há cura para a novembrite. Felizmente não há registros de mortes causadas pela doença (o caso do professor atingido por uma cadeira durante uma explicação sobre as leis de Newton ainda está sob investigação). Além disso, a novembrite é claramente sazonal e parece desaparecer assim que são concluídas as últimas recuperações, o que costuma acontecer antes da metade de dezembro.

Aparentemente a única maneira de evitar a novembrite é manter distância de escolas, matinês, shopping centers ou qualquer outro lugar onde se aglomerem adolescentes. Caso isso não seja possível, recomenda-se para os adultos o consumo de antidepressivos ou álcool em quantidade moderada para fins de relaxamento. Quanto aos alunos, ainda não foram encontrados tratamentos mais eficientes que um bom puxão de orelha e um mês sem o playstation.